O Transtorno Alimentar Compulsivo: Sintomas, Causas e Como Parar

publicado em 3 de abril de 2019

O transtorno alimentar compulsivo é uma grave doença que pode ter um efeito bem negativo sobre as pessoas que infelizmente convivem com ela.

O tipo mais comum de transtorno alimentar tem afetado quase 2% de todas as pessoas no mundo, mesmo que isso não seja tão conhecido assim.

Vamos analisar neste artigo as causas, sintomas e os riscos do transtorno alimentar para saúde e como combatê-lo.

O que é o transtorno alimentar compulsivo (TAC) e quais são os sintomas?

Este transtorno é caracterizado por alguns episódios de compulsão que se repetem descontroladamente, trazendo sentimentos de muita vergonha e sofrimento.

Alguns tipos de distúrbios alimentares são mais comuns em mulheres do que em homens. No entanto, o tipo mais comum de transtorno alimentar está entre os homens.

Um episódio de compulsão corporal caracteriza-se em comer quantidades maiores de alimento do que a normal em um período de tempo relativamente curto.

Na TAC, esse comportamento é acompanhado por sentimentos de angústia e falta de controle.

Para que o médico diagnostique a TAC, três ou mais dos sintomas devem estar incluídos:

  • Comer muito mais rapidamente do que o normal
  • Comer até ficar cheio e incomodado
  • Comer grandes quantidades sem sentir fome
  • Comer sozinho devido a sentimentos de constrangimento e vergonha
  • Sentimentos de culpa ou desgosto consigo mesmo

As pessoas com a TAC acabam muitas vezes tendo sentimentos de grande infelicidade e angústia por causa do excesso, e o peso do corpo.

Mesmo que algumas pessoas ocasionalmente comam demais, como em um dia de festa por exemplo…

não significa que elas tenham algum tipo de transtorno alimentar, apesar de experimentarem alguns dos sintomas listados acima.

Para chegar a conclusão do problema, elas devem pelo menos ter tido um episódio de compulsão por semana durante um mínimo de três meses.

A compulsão varia de leve, que é caracterizada por um a três episódios da compulsão por semana.

E também ao extremo, que pode chegar a uns 14 ou mais episódios por semana.

Outra característica muito importante é a ausência de comportamentos inapropriados.

Isso quer dizer que ao contrário da bulimia, uma pessoa com TAC não vomita, não toma laxantes ou faz exercícios para tentar compensar.

O que causa o transtorno alimentar compulsivo?

As causas da doença não são muito bem compreendidas, mas ela acontece provavelmente devido a estes fatores de risco:

Genética: pessoas com TAC podem ter uma sensibilidade aumentada à dopamina, que é responsável pelos sentimentos de recompensa e prazer.

Existe também uma forte evidência de que essa desordem pode ser herdada.

Gênero: A TAC é bem mais comuns em mulheres do que em homens. Isso acontecer devido a fatores biológicos subjacentes.

Mudanças no cérebro: há indícios de que pessoas com a TAC podem ter mudanças na estrutura do cérebro que resultam em respostas aumentadas aos alimentos e menos autocontrole.

Tamanho do corpo: Praticamente 50% das pessoas que sofrem com a TAC são obesas…

e 25 a 50% dos pacientes que procuram cirurgia para perder peso atendem aos critérios da doença.

Problemas de peso podem ser tanto uma causa como uma conseqüência dessa desordem.

Imagem do corpo: pessoas com TAC têm uma imagem corporal muito negativa.

A insatisfação corporal, dieta e excesso contribuem para o desenvolvimento da doença.

Alimentação compulsiva: quem é afetado muitas vezes relata um histórico de compulsão alimentar como sendo primeiro sintoma da desordem.

Isso inclui a compulsão alimentar na infância e adolescência.

Traumas emocionais: os eventos estressantes da vida, como abuso, morte, separação de um familiar ou acidente de carro, foram considerados fatores de risco.

O bullying infantil por causa do peso também pode contribuir.

Outras condições psicológicas: praticamente 80% das pessoas com TAC tem pelo menos um distúrbio psicológico que pode ser fobias, depressão, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), transtorno bipolar, ansiedade ou abuso de substâncias.

Um episódio da compulsão alimentar pode ser causado pelo estresse, sentimentos negativos relacionados ao peso corporal ou formato do corpo, dieta, disponibilidade de alimentos ou o tédio.

Quais são os riscos para a saúde?

A TAC tem ligação com vários riscos para saúde física, emocional e social.

Como citado, cerca de 50% das pessoas com TAC são obesas.

No entanto, essa desordem também pode se tornar um fator de risco independente para ganhar peso e tornar-se obeso.

Isso acontece devido ao aumento de ingestão de calorias durantes os episódios de compulsão alimentar.

De fato, só a obesidade pode aumentar o risco de doença cardíaca, diabetes tipo 2, acidente vascular encefálico e câncer.

No entanto, certos estudos descobriram que pessoas com esta desordem tem um risco ainda maior de desenvolver estes problemas de saúde…

em comparação com as pessoas obesas que não sofrem com a TAC.

Outros riscos associados à doença incluem a condições de dor crônica, problemas com o sono, asma e síndrome do intestino irritável.

Geralmente, nas mulheres essa condição tem associação ao risco de problemas de fertilidade, complicações da gravidez e desenvolvimento da síndrome do ovário policístico.

Pessoas com este problema também acabam tendo uma capacidade reduzida de funcionar corretamente em ambientes sociais, com disfunção grave que ocorre em 13% das pessoas.

Além disso, pacientes com a TAC tem uma qualidade de vida bem menor e uma alta taxa de hospitalização…

atendimento ambulatorial e visitas ao departamento emergencial, se comparado com pessoas saudáveis.

Mesmo que tais riscos sejam significativos para saúde, existem também uma série de tratamento que são muito eficazes para a TAC.

Quais são as opções de tratamento?

A terapia para esta condição depende das causas e a gravidade da mesma.

O tratamento pode causar um comportamento compulsivo, aumento de peso ou problemas de saúde mental.

As opções de terapia incluem terapia cognitivo-comportamental, psicoterapia interpessoal, terapia comportamental dialética, terapia de perda de peso e medicação.

Estas podem ser realizadas individualmente, em uma configuração de grupo ou em formato de auto-ajuda.

Em algumas pessoas, apenas um tipo de terapia pode ser necessário, enquanto outras podem precisar outros meios até encontrar o ajuste certo.

Um profissional de saúde médica ou mental poderá aconselhá-lo sobre a terapia mais adequada para você.

Terapia cognitiva comportamental

A terapia cognitivo-comportamental (CBT) analisa as relações entre pensamentos negativos, sentimentos e comportamentos ligados à alimentação, forma corporal e peso.

Uma vez que as causas de emoções e padrões negativos forem identificados, algumas estratégias podem ser desenvolvidas para ajudar os pacientes.

Uma das intervenções podem incluir a definição de metas, o auto-monitoramento, padrão regular de refeição….

mudar a forma de pensar sobre seu peso e incentivo de hábitos saudáveis e controle do peso.

A forma de auto-ajuda da terapia é muitas vezes mais barata e mais acessível, e você também pode encontrar sites e aplicativos móveis que oferecem suporte.

Psicoterapia interpessoal

A psicoterapia interpessoal (PI) baseia-se na ideia de que a compulsão alimentar é um mecanismo de enfrentamento de problemas pessoais não resolvidos…

tais como sofrimento, conflitos de relacionamento, mudanças de vida significativas ou problemas sociais subjacentes.

O objetivo é identificar o problema específico relacionado ao comportamento alimentar negativo…

reconhecê-lo e depois fazer mudanças construtivas ao longo de um período de 12 a 16 semanas.

A terapia pode ser em formato grupal ou de forma individual com um terapeuta treinado, e às vezes pode ser combinado com a Terapia cognitivo comportamental (TCC).

Existe uma forte evidência de que este tipo de terapia tem bons efeitos a curto e longo prazo sobre a redução do comportamento compulsivo.

É a única outra terapia com resultados a longo prazo tão boa quanto a TCC.

Pode ser particularmente eficaz para pessoas com formas mais severas de compulsão alimentar e aquelas com baixa-auto-estima.

Terapia de comportamento dialético

A terapia de comportamento dialético (TCD) vê a compulsão alimentar como uma reação emocional às experiências negativas onde a pessoa não tem outra maneira de lidar com o problema.

Essa terapia ajuda pessoas a regular suas respostas emocionais para que lidem com situações negativas no dia a dia.

As quatro áreas de tratamento principal para esta condição são a atenção plena, tolerância ao sofrimento, regulação emocional e eficácia interpessoal.

Um estudo incluiu 44 mulheres com o TAC que sofreram com a TCD. Nele, 89% delas não tiveram mais…

compulsão corporal até o final da terapia, mesmo que essa média tenha caído para 56% em um segmento de seis meses.

Enquanto esta pesquisa pareça ser promissora, mais estudos são necessários para determinar se tal ação poderia ser aplicada em todas as pessoas com a TAC.

Terapia com perda de peso

Esta terapia visa ajudar as pessoas a emagrecer, o que pode reduzir bastante o comportamento da compulsão corporal, promovendo a auto-estima e a imagem do corpo.

O objetivo é mudar gradualmente o estilo de vida na dieta e fazer exercícios, monitorando a ingestão de alimentos e pensamentos sobre alimentos ao longo do dia.

Dessa forma, é possível esperar cerca de meio quilo por semana.

Mesmo que essa terapia para perder peso ajuda a melhorar a imagem do corpo e reduza os ricos associados à obesidade…

ela não se mostrou efetiva ao parar totalmente a compulsão alimentar.

Assim como geralmente acontece com os tratamentos naturais de perda de peso para tratar a obesidade…

a terapia para perder peso comportamental demonstrou ajudar pessoas a chegarem a um resultado apenas moderado e de curta duração.

Mesmo assim, essa terapia ainda pode ser uma boa opção para pessoas que não tiveram sucesso com outras terapias ou que desejam perder peso.

Medicamentos

Muitos medicamentos podem tratar a compulsão alimentar, sendo muitas vezes mais baratos que a terapia tradicional.

Mas, nenhum medicamento atualmente é tão efetivo no tratamento da TAC como as terapias comportamentais.

Um dos tratamentos naturais incluem os antidepressivos, antiepilépticos como o topiramato e…

medicamentos que são normalmente utilizados para os distúrbios hiperativos, como a lisdexamfetamina.

Uma pesquisa descobriu que medicamentos tem uma maior vantagem em relação a uma forma equivalente de tratamento para a redução a curto prazo da compulsão alimentar.

Os medicamentos mostraram ser 48,7% efetivos, enquanto os placebos mostraram ser 28,5% efetivos.

Também são eficazes na redução do apetite, obsessão, compulsão e sintomas de depressão.

Mesmo que os efeitos sejam promissores, a maior parte desses estudos teve uma realização de curto período, então os dados sobre os efeitos a longo prazo ainda são necessários.

Além disso, os efeitos colaterais desse tratamento incluem dores de cabeça, problemas no estômago, distúrbios do sono, aumento da pressão arterial e ansiedade.

Muita gente com a TAC acaba tendo outras condições de saúde mental, como a ansiedade e depressão, também podem receber medicamentos adicionais para tratamento.

Como parar a compulsão alimentar?

A primeira coisa a fazer é falar com um profissional médico.

Ele lhe ajudará a diagnosticar adequadamente o problema, determinar o quão grave é e recomendar o tratamento mais adequado.

Geralmente, o tratamento mais eficaz é a TCC, mas existe uma série de tratamentos disponíveis.

Dependendo das suas circunstâncias, apenas uma terapia pode funcionar bem.

Não importa qual estratégia de tratamento você use, é importante também fazer escolhas saudáveis ​​de estilo de vida e dieta quando puder.

Vejamos aqui alguns métodos úteis que você pode implementar:

Um diário de alimentação: identifique motivos pessoais que causam a compulsão, isso é um passo importante para aprender a controlar.

Prática consciente: isso pode ajudar a aumentar a conscientização sobre seus gatilhos compulsivos, tudo enquanto você ajuda a aumentar o autocontrole e manter a auto-aceitação.

Encontre alguém com quem falar: É importante ter suporte, seja por meio de seu parceiro, família, amigo, grupo de apoio compulsivo ou ajuda online.

Escolha alimentos saudáveis: uma dieta composta por alimentos ricos em proteínas e gorduras saudáveis…

refeições regulares e alimentos integrais com muitas frutas e vegetais ajudará a mantê-lo completo e fornecer os nutrientes que você precisa.

Comece a se exercitar: a atividade física poderá lhe ajudar a perder peso, melhorar a imagem do seu corpo e também os sintomas de humor e ansiedade.

Dormir o suficiente: a falta de sono está associada ao maior consumo de calorias e padrões de alimentação irregulares.

Certifique-se de que você tenha pelo menos sete a oito horas de bom sono por noite.

Conclusão

A TAC é um transtorno alimentar muito comum e pouco conhecido, podendo afetar seriamente a sua saúde.

Ela caracteriza-se por episódios repentinos e descontrolados em comer grandes quantidades de alimentos acompanhados de sentimentos de vergonha e culpa.

Ela pode ter efeitos muito negativos na saúde geral, peso, auto-estima e saúde mental.

Felizmente, existem tratamentos que podem ser muito eficazes no tratamento dessa condição.

Existem também muitos métodos de estilo de vida saudável que você pode implementar na sua vida cotidiana.

Com os devidos cuidados, você poderá controlar isso e ter uma vida mais feliz e saudável, então comece hoje mesmo.

Este artigo é baseado nas evidências dos especialistas da Autoridade Nutricional.

FONTE: Tudo Sobre Saúde